Sucesso nacional nas décadas de 40 e 50, as radionovelas ressurgiram e recomeçaram a ganhar força no interior. O gênero, que conquistou uma legião de ouvintes na época de ouro no rádio, foi experimentado pela primeira vez pela Rádio Educação e Cultura (AM) de Rio Claro, a 175 quilômetros de São Paulo, em 1993. A idéia do radialista Antônio Netto começou a tomar forma a partir de um programa de 30 minutos, contando lances curiosos da história do rádio.

 

        Nesse programa ele inclui trechos de antigas novelas, produzidas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O radialista teve uma surpresa agradável com repercussão do programa. Ele comprovou grande audiência e interesse dos ouvintes pela programação. "A partir daí resolvi lançar um projeto de produção local de radionovelas", conta. A primeira providência foi lançar um concurso para atrair candidatos a ator. O resultado superou as expectativas. De acordo com o radialista, mais de 200 pessoas se inscreveram para os testes. Entre elas estava o ator de teatro Roberto Fernandes, em férias na cidade. "Imediatamente, Roberto passou a assessorar o projeto, organizando, inclusive, uma oficina de radioteatro voltada a preparar os atores amadores", explica o radialista.

   

        Ator-mirim - Dos candidatos inscritos, a dupla selecionou 12 pessoas e adaptou para a novela-piloto o clássico "Marcelino Pão e Vinho". A escolha do ator-mirim para protagonista foi o processo mais tranqüilo. O eleito, Fabiano Cipriano, com 11 anos na época, lia mensagens evangélicas na Rádio Educação e Cultura e já chamava a atenção pela interpretação. "Apesar da idade, ele é muito compenetrado durante as gravações e sabe se expressar com naturalidade", analisa Antônio Netto, orgulhoso em revelar seu primeiro talento.

 

        A novela foi apresentada em capítulos semanais. "Inicialmente, pretendíamos escrever e gravar cerca de 30 capítulos, mas não foi possível por falta de patrocinadores, além de problemas técnicos e espaço físico". As dificuldades, no entanto, não desanimaram os produtores, que adaptaram novos textos para rádio-novelas, como "O Estigma da Traição", escrita pelo autor, ator e diretor teatral Roberto Fernandes, que aborda um tema bastante atual e polêmico ao tratar da história de uma mulher casada que contrai o vírus HIV, da Aids. O idealizador e produtor Antonio Netto, radialista e apresentador do programa noturno "Assim era o Rádio - PR-É Rádio Saudade", neste trabalho concretiza um antigo sonho movido pela expectativa de trazer um pouco do passado da época áurea do rádio brasileiro. Esse impulso deu origem à oficina Cultural de Rádio Teatro, onde se forma o elenco para estruturar uma radionovela.

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