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FRANCISCO DE MORAES ALVES
nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de agosto de 1898, filho de portugueses.
Teve três irmãs: Angela, Lina e Carolina e José, seu único irmão.
Levou a infância livre e feliz dos meninos de rua. Era pouco afeito
aos livros, à gramática, habilidoso nos cálculos aritméticos e sempre
inclinado à música. Seu pai tocava alguns instrumentos e, da Irmã Nair,
ganhou uma guitarra e as primeiras lições. Vicente Celestino era o seu
ídolo. Gostava também de futebol e até morrer torceu pelo América F.C.
Fez seu primeiro teste no teatro perante o maestro Antonio Lago, pai
do compositor Mário Lago. Tomou aulas particulares de canto com o barítono
italiano Sante Athos por três meses.
Mais seguro e apto, conseguiu ser admitido na Companhia Circo Spinelli,
de Afonso Spinelli, no Méier. Em 1918, estava integrado na Companhia
João de Deus-Martins Chaves.
Conservou por toda vida grande
paixão por
automóveis, que lhe traziam também rendimentos
adicionais na compra e venda. Freqüentando
a Lapa, bairro boêmio carioca, enamorou-se de uma de suas alegres moradoras,
Perpétua Guerra Tutoya, a Ceci. Casou-se com ela em 24-05-1920 e, o
casamento durou sete dias, o tempo que Ceci demorou para abandonar o
lar.
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Freqüentando
a Lapa, bairro boêmio carioca, enamorou-se de uma de suas alegres moradoras,
Perpétua Guerra Tutoya, a Ceci. Casou-se com ela em 24-05-1920 e, o
casamento durou sete dias, o tempo que Ceci demorou para abandonar o
lar.
Nesse mesmo ano de 1920, Francisco Alves ligou-se a Célia Zenatti, atriz
e dançarina, o grande amor de sua vida e uma feliz união de 28 anos.
Nos anos seguintes, continuou sua instável e difícil atividade nos teatros
de revista, como a Companhia São José, a Chantecler e outras. Excursionou
a São Paulo e ao Rio Grande do Sul. Já tinha gravado dois discos no
selo Popular. Em 1924, na Odeon, tentou novamente sem êxito a carreira
fonográfica.
Mas logo chegaria seu grande momento, no ano de 1927. Depois de alguns
discos ainda no processo mecânico, coube-lhe a primazia de realizar
no Brasil a primeira gravação elétrica. E nada mais o deteve. Passou
a gravar tudo, em enorme quantidade. Até 1933, por exemplo, chegava
a 100 gravações por ano, em média, ou 50 discos com 2 músicas em cada
face.
Tornou-se o maior cantor nacional, sem discussão e sem concorrentes.
Um gênio vocal que clareava o som dos discos e não escolhia gêneros.
Tanto cantava sambas, marchas, toadas, canções, como valsas, hinos,
foxes, maxixes e paródias. Um intérprete completo. Sempre estimulou
e ajudou os novos valores, cantores e compositores. A primeira apresentação
profissional de Carmem Miranda num palco foi a convite de Francisco
Alves. O fenômeno Orlando Silva foi lançado no seu programa de rádio.
Nos estúdios de gravação, exigente e de ouvido apurado, fazer valer
o seu perfeccionismo. Possuia uma sonoridade espantosa, com a qual sem
esforço conseguia preencher todo o teatro.
Foi proprietário de cavalos de corrida e seus animais vitoriaram-se
muitas vezes na Gávea. Não bebia, não fumava. Tocava violão com bastante
competência, ainda que não fosse um virtuoso.
Foi também compositor e compositor de muito valor. Fazendo segundas-partes,
ideando introduções, acertou muito samba que lhe chegou às mãos, embora
lhe contestem a parceria.
Desde jovem adquiriu notável aascendência no meio musical do Brasil.
Era já o Velho Chico, de prestígio inabalável, apesar dos outros extraordinários
cantores que foram surgindo. Sua personalidade sólida e simples de homem
que veio do povo às vezes rude, porém amigo e responsável, e seu indiscutido
valor como cantor, fizeram dele imediatamente o líder natural.
Nunca passou um ano sequer sem lançar vários êxitos, seja no carnaval,
nas festas juninas, seja no meio do ano, embalando os corações românticos.
Animava os caranavais com entusiasmo de autêntico e exuberante folião.
Como ninguém, reconhecia a música que poderia ser êxito e raramente
se enganava, fosse de compositor famoso ou desconhecido, que logo procurava
e apoiava.
Sua discografia é um despropósito. Quase mil gravações! Não há o menor
exagero em afirmar que mais de noventa por cento tiveram êxito de verdade
no seu tempo.
No dia 27-09-1952, um sábado, ao entardecer, morre o Rei da Voz. Voltava
para o Rio de Janeiro, acompanhado de um amigo, guiando o seu Buick,
quando chocou-se com um caminhão . É o fim trágico e inesperado de quem
evitava viajar de avião por medo de morrer queimado como Carlos Gardel.
A notícia terrível e inacreditável abalou o Brasil. Desaparecia Francisco
Alves com 54 anos, ainda na plenitude de sua arte e do reconhecimento
do público. Um cantor com uma posição ímpar na história de nossa música
popular.

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